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Inteira…

“Sou uma filha da natureza: quero pegar, sentir, tocar, ser.

E tudo isso já faz parte de um todo, de um mistério.

Sou uma só… Sou um ser. E deixo que você seja. Isso lhe assusta? Creio que sim.

Mas vale a pena. Mesmo que doa.

Dói só no começo.”

(Clarice Lispector)

Minhas memórias …

Vivas me vivificam,

transcorrem como um filme,

as vezes tão serenas, me fazem sorrir,

remetem a beleza do existir,

tão puras socorrem meu nada,

Inundam e irrigam minhas veias…

Sinto que em algum momento existi, fui real.

Agora apenas estou, já não sou mais,

Apenas estou…

Olho-me…

Sinto a vida passar por mim,

quero viver e já não sei como,

nada faz sentido,

a vida passa sem motivos,

não tenho medo e nem vontades,

não há amores…

Mas sei que estou viva, porque há em mim muita dor!

Ela eu sinto, é potente, forte e voraz, talvez minha única companhia,

talvez minha única certeza que ainda vivo!

O peso que a gente leva…

Caros internautas, existe um tempo para cada coisa…

Este é o tempo de leitura, tenho lido muito e posto o que realmente me ilumina por dentro. Segue um texto que me ajudou terapeuticamente…

______

O perigo da viagem mora nas malas. Elas podem nos impedir de apreciar a beleza que nos espera. Experimento na carne a verdade das palavras, mas não aprendo. Minhas malas são sempre superiores às minhas necessidades. É por isso que minhas partidas e chegadas são mais penosas do que deveriam.

Ando pensando sobre as malas que levamos…

Elas são expressões dos nossos medos. Elas representam nossas inseguranças. Olho para o viajante com suas imensas bagagens e fico curioso para saber o que há dentro das estruturas etiquetadas. Tudo o que ele leva está diretamente ligado ao medo de necessitar. Roupas diversas; de frio, de calor – o clima pode mudar a qualquer momento! – remédios, segredos, livros, chinelos, guarda chuva – e se chover? –, cremes, sabonetes, ferro elétrico – isso mesmo! – Microondas? – Comunique-me, por favor, se alguém já ousou levar.

O fato é que elas representam nossas inseguranças. Digo por mim. Sempre que saio de casa levo comigo a pretensão de deslocar o meu mundo. Tenho medo do que vou enfrentar. Quero fazer caber no pequeno espaço a totalidade dos meus significados. As justificativas são racionais. Correspondem às regras do bom senso, preocupações naturais para quem não gosta de viver privações.

Nós nos justificamos. Posso precisar disso, posso precisar daquilo…

Olho ao meu redor e descubro que as coisas que quero levar não podem ser levadas. Excedem aos tamanhos permitidos. Já imaginou chegar ao aeroporto carregando o colchão para ser despachado?

As perguntas são muitas… E se eu tiver vontade de ouvir aquela música? E o filme que costumo ver de vez em quando, como se fosse a primeira vez?

Desisto. Jogo o que posso no espaço delimitado para minha partida e vou. Vez em quando me recordo de alguma coisa esquecida, ou então, inevitavelmente concluo que mais da metade do que levei não me serviu pra nada.

É nessa hora que descubro que partir é experiência inevitável de sofrer ausências. E nisso mora o encanto da viagem. Viajar é descobrir o mundo que não temos. É o tempo de sofrer a ausência que nos ajuda a mensurar o valor do mundo que nos pertence.

E então descobrimos o motivo que levou o poeta cantar: “Bom é partir. Bom mesmo é poder voltar!” Ele tinha razão. A partida nos abre os olhos para o que deixamos. A distância nos permite mensurar os espaços deixados. Por isso, partidas e chegadas são instrumentos que nos indicam quem somos, o que amamos e o que é essencial para que a gente continue sendo. Ao ver o mundo que não é meu eu me reencontro com desejo de amar ainda mais o meu território. É conseqüência natural que faz o coração querer voltar ao ponto inicial, ao lugar onde tudo começou.

É como se a voz identificasse a raiz do grito, o elemento primeiro.

Vida e viagens seguem as mesmas regras. Os excessos nos pesam e nos retiram a vontade de viver. Por isso é tão necessário partir. Sair na direção das realidades que nos ausentam. Lugares e pessoas que não pertencem ao contexto de nossas lamúrias… Hospitais, asilos, internatos…

Ver o sofrimento de perto, tocar na ferida que não dói na nossa carne, mas que de alguma maneira pode nos humanizar.

Andar na direção do outro é também fazer uma viagem. Mas não leve muita coisa. Não tenha medo das ausências que sentirá. Ao adentrar o território alheio, quem sabe assim os seus olhos se abram para enxergar de um jeito novo o território que é seu. Não leve os seus pesos. Eles não lhe permitirão encontrar o outro. Viaje leve, leve, bem leve. Mas se leve.

Padre Fabio de Melo

Um Sol diferente

Sou amante do Sol, há algo nele que me encanta, aprecio igualmente a Lua, ambos me iluminam diariamente onde eu for e como for…

Navegando no meu Facebook nesta noite encontrei este poema e compartilho com você …

 ——–

Neste dia eu lhe desejo um sol diferente.

Que apesar de todas as dificuldades,

apesar de algumas tristezas que insistem,

que mesmo com essa montanha erguida,

o sol possa ser seu presente mais doce.

Desejo ao seu coração o querer que ele quer.

Que nas palavras que ele sussurra dentro do seu peito,

sejam ouvidas aquelas que têm sabor de liberdade.

Que você esteja atendo para o sopro da sua vontade real,

e jamais desista dos seus passos em direção à verdade.

Desejo que sua percepção acorde mais plena no calor de um sol novo e renovador.

Que ele lhe encoraje às atitudes que estão querendo respirar.

Aquelas que sempre são substituídas,

Aquelas que não se arrojam por ter os pesos de conceitos por demais antigos. Desejo que você aceite seu tempo, seja ele qual for.

Que sinta serenidade na espera necessária para que a semente plantada brote no tempo certo.

Desejo então que sua flor seja inteira,

e mesmo que inicialmente pequena e frágil,

ela lhe traga as luzes de uma estrada azul.

Que sua sabedoria esteja desperta aguardando com tranqüilidade o desabrochar da sua flor.

Em paz, em cadência ritmada com o aprendizado que vem chegando.

Em mais suaves permissões a você.

Em muito mais reconhecimento da sua coragem.

Desejo a você um sol diferente.

Espalhando seu sorriso pela densidade das nuvens,

simplificando o aspecto complicado de alguns momentos e mostrando-lhe a fonte essencial para sua sede.

Desejo que a cada instante você desnude mais seu coração e deixe que nele vibre em tom maior: O AMOR .

O amor na sua expressão mais simples.

Que não mede, não faz contas e que tem o poder de lhe erguer acima de todas as montanhas escuras.

(Autor desconhecido)

Sonhar ou não Sonhar???

Quando criança ousava imaginar que eu era a princesa a espera do príncipe, a Bela Adormecida, a Branca de Neve, a Rapunzel presa na torre, mas que era solta pelo amor, alias todas as princesas sempre acabavam com final feliz e libertas de algo por seus príncipes, através de um beijo o amor se revelava a elas…

Acredito que ainda hoje possa existir príncipes e princesas, homens libertando mulheres e vice-versa, a força do amor não existe apenas nos contos de fadas, elas transcendem a fantasia…

Talvez ao ler isso você esteja imaginando que eu seja Alice no Pais das Maravilhas, afirmo que não, mas foi na recordação de minha infância, de minha capacidade lúdica e fantasiosa própria de criança que fui impulsionou hoje adulta a escrever sobre a beleza do sonhar e assumir papeis de seres vitoriosos…

Sonhar faz parte de nossa vida, porém quando crescemos sonhamos de forma diferenciada da criança, mais ainda sonhamos, contudo aos poucos vamos perdendo a coragem de revelar  nossos sonhos, que por vezes são julgados como infantis, mas afirmo quem perdeu a capacidade de sonhar, perdeu também a capacidade de viver…

Tenho uma lista de sonhos, desejos a pequeno, médio e longo prazo e são nos momentos mais difíceis que estes sonhos me impulsionam, acredito sempre que o amanhã será melhor, que o sonho que nasce na fantasia e no intimo de uma alma ninguém pode impedi-lo de se realizar, alias há sim alguém capaz de tal crueldade, o sonhador, este é o único capaz de fazer com que sonho não se realize…

Sonhar não é apenas idealizar algo irreal, incapaz de acontecer, fora do plano natural, sonhar é traçar metas, dar prazos, sair da zona de conforto e ir além de si mesmo, fazendo com que nosso Ego se fortaleça na realização dos feitos que só um “Eu” amadurecido é capaz de realizar…

Realizar um sonho é dizer para si mesmo, EU POSSO, sou capaz..

Em obras…

Não passo pela vida simplesmente, me recuso a tal ato frágil, sigo vivendo, não serei apenas uma cicatriz de minha história, serei alguns pontos na alma de concertos, mas serei sempre vida vivida…

Na vida não posso ditar regras, cada dia é um “em branco”, mas posso dizer aonde e como quero ir…

No fim do dia o “em branco” torna-se povoado, escrito e rabiscado… Sorrindo ou chorando não importa, o escrito torna-se parte de minha história…

Finalizo o dia relendo-o, saldos positivos e negativos, como num balancete de uma empresa que esta nos inícios, há erros e rasuras, vez ou outra o caixa fica negativo, o valor não fecha, a empresa resiste e se não quebrar será certamente uma empresa estável, reconhecida…

A vida é exatamente isso, uma grande empresa escrevendo sua história para a humanidade…

Todo ser humano deveria ter afixado na alma, que é um ser em construção, construindo o mundo e sendo construido por ele…

Só o amor, aquece!

Faz frio aqui no Jardim, mas o frio de fora não entra, porque para esse tipo de frio há agasalhos, o frio da Alma esse é perigoso, porque vem de dentro para fora e ainda não inventaram agasalho para o interior, por tanto é preciso se cuidar a cada momento…

Estamos num mundo onde nada para, precisamos continuar mesmo na dor, nossa dor precisa ser salvifica e fortalecer a outros, senão envão é o sofrimento, para tanto, se faz necessário a capacidade de aquecer…

Aquecer alguém no inverno é tão bom, nossos braços que abraçam, aquecem e são aquecidos, tudo é envolto de aconchego, nas entrelinhas dos símbolos, é possível sentir a maciez da alma que nos aconchega com a bebida quente, o banho e o cobertor, sem falar da beleza que a lareira nos traz…

Tudo tem mais requinte no inverno, as pessoas se vestem melhor, a comida também ganha mais capricho, os encontros são cheios de significados… No inverno tocamos e nos deixamos tocar, nosso corpo compreende que quanto mais perto estamos, mais quente ficaremos… Mas um alma fria pode ser envolta de vários corpos e continuar fria, sem vida…

A alma humana não aquece só por presença externa ela precisa ser povoada por dentro, não se importa com o capricho e a grife da roupa, prefere a beleza do olhar… A alma sobrevive de amor…

Amor não se compra, porque se fosse encontrado em prateleiras certamente estaria sempre esgotado, somente ele e mais nada é capaz de aquecer uma alma, que aquecida ilumina de dentro para fora tornando a pele mais suave, o perfume do corpo único e na medida certa, o olhar transmite toda a vida que a alma possui e seu calor, frio nenhum pode esfriar, porque o amor tem temperatura ambiente…

Vazia

Sem motivos, não há motivo para viver… A vida é feita de motivos e movimentos…

Uma árvore oca e sem raiz não suportará as tempestades do inverno, a desnudação do outono e o forte calor do verão… Para ressurgir na primavera é necessário alguns esforços…

As experiências e dores da vida não podem nos esvaziar e nos deixar vazios somente, o esvaziar na vida constituem em liberar espaços para enfim, ser preenchido…

Existem momentos em que precisamos ter a coragem de abrir mão de tudo, perder tudo para ser cheia…

Como a árvore perde suas folhas, sua roupagem, para que possa gerar flores e frutos, há momentos que somos privados de nossa vestimenta, nossa capa de proteção… Uma árvore sem folhas, aparentemente seca, perde a beleza, mas isso não é o fim e mesmo se fosse, o fim indica começo…

No momento onde tudo parece perdido, eis que surge o Jardineiro, com paciência cava, coloca adubo, rega e gasta tempo dedicados a ela… A árvore comovida com tanto cuidado, responde com vida, ressurgem as novas folhas, eis que ela aparece bela e formosa… Num verde esperança o Jardineiro entende, que ainda há vida…

Essa árvore sou eu, é você, portanto não se preocupe se o inverno parece não findar e a primavera parece algo longínquo, porque enquanto houver vida, haverá esperança…

Vazia sim, oca nunca!

Esvaziar-se somente para ter espaço e ser preenchida do essencial… E o essencial como bem diz o Pequeno Príncipe é invisível…

A Janela da Alma

A força do olhar de quem nos olha, é capaz de nos impulsionar ou nos fazer parar…

Quando olhamos apressadamente nada podemos ver, mas quando olhamos com singeleza os olhos nos revelam a alma…

Sempre que queremos saber se o outro esta falando a verdade logo surgi a expressão, “olha no meu olho” , como se olhar pudesse descobrir o que esta encoberto…

O olhar fortalece quem é olhado, porque ser olhado significa deter tempo… Um olhar tem o poder de pausar o tempo…

Logo que nascemos quase não enxergamos, mas assim que saímos da barriga protetora da mãe já somos olhados, aquele olhar, há aquele olhar… estará para sempre gravado em nós… No aleitamento materno novamente o olhar, agora passamos a trocar olhares, ela nos olha e nós devolvemos o olhar, o leite quentinho e na medida certa, ganha mais sabor com aquele olhar, é o olhar dela que buscamos em meio a multidão, o olhar dela nos ensina o quanto é bom ser notado, olhado…

Aquele olhar, diz eu te amo e a boca nem se mexe, mas o tempo para, sou ela e ela sou eu… É esse olhar que passamos pela vida a buscar… Esse olhar que afirma, te amo e te aceito, assim inacabado, como é e esta…

Olhar no olho é devolver o outro a si, é refleti-lo e deixar que se olhe no próprio olhar…

Um olhar amoroso nos devolve…

Deficiente visual não é aquele que não possuem um dos cinco sentidos a “visão”, deficiente visual é quem possuem o sentido da visão, mas não se deixa enxergar e menos ainda não consegue enxergar-se… Os deficientes visuais não podem enxergar mas vêem com o toque, um olhar amoroso é capaz de tocar o intocável, porque é capaz de tocar a alma…

Um dos significados no dicionário de língua portuguesa define enxergar como: descortinar, observar, perceber, pressentir, deduzir e intervir…

Desejo a você hoje, que primeiro você se olhe demoradamente, se encontre, se enxergue para dar a outros a beleza de ser enxergado…

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