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Posts Tagged ‘liberdade’

Identidade

Nos últimos meses estive por muitas vezes em hospitais, ora sendo paciente e ora sendo acompanhante…

Vários detalhes me impressionaram, as camas, os crachás de visitantes, as alas e as falas dos profissionais que ali nos servem…

Quando chegamos ao hospital perdemos um pouco de nossa identidade, a dor nos faz sucumbir e nos impulsiona a revelar nosso mais profundo EU.

Os acompanhantes passam pelo mesmo processo. Quem tinha nome próprio agora torna-se acompanhante de “fulano de tal”…

O paciente é identificado pela ala, quarto e leito…

Surgiu em mim a questão: – Porque a dor nos revela e nos priva do “eu”?

Tudo se mistura no enfermo, corpo e alma tornam mais profundamente um só, aparentemente voltamos a ser crianças, choramos, queremos colo, nos assemelhamos a um bebê sem proteção…

No hospital em uma das noites um bebê chorava sem intervalos, a mãe cansada já não lhe supria o anseio de colo… Para um bebê ele e sua mãe são um só, perde-la é perder-se… Imaginemos o nosso corpo indo embora diariamente e retornando quando achar que chegou a hora… É como dizer a si mesmo eu me abandonei, me privando de mim quando mais “me necessitava”…

Seria alguém capaz de abandonar-se a si mesmo? Seriamos predestinado a sofrer a perda de nosso corpo afetuoso, que atende pelo nome de mãe… Um dia crescemos e sabemos que mamãe vai e vem e nem por isso me perderei de mim, mas para um bebê, sua mãe e ele é são um só, mas que isso, mamãe é extensão de seu eu…

Nascemos predestinados a perda?

A vida é fruto e resultado de nossas escolhas, mas e quando não escolhemos? Quando nascemos já estamos destinados a algo? A identidade é construída ou vem lacrada e a mim só resta, abrir?

Por que o sofrimento me revela?

Certa vez ouvi a seguinte frase:

A vida é cheia de perguntas, viver é descobrir as respostas!

Eu acrescentaria… que viver é descobrir, porém eu faço parte das respostas.

Meu corpo diz quem sou, mas minha alma me revela como sou…

Construir a identidade é sem duvida humanizar-se ao longo da vida…

Não posso ser apenas o que dizem que eu sou, mas também não sou apenas o que posso dizer que sou, porque o que sou esta inacabado, lapido-me e sou lapidada a medida que permito-me ser humana…

Termino com a conhecida frase do filosofo…

“Conhece-te a ti mesmo” e acrescento: Identifique-se!

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A liberdade de amar…

Ha situações que nos brecam de tal forma que sentimos um paralisar gradativo da alma…

Digo da alma porque é nela que ludicamente se situa nossas emoções e a ela que definimos os sentimentos, ela os abriga, os envolve e os dissolve…

É comum ver que nossa alma adoece por amor, mas o amor não é capaz de curar? Então por que adoece? Por que amamos de maneira errada!…

Amamos com posse, amamos aprisionando…

É só observarmos como colocamos a palavra “meu, minha” imediatamente na frente de nossos amores… É tão comum que passa imperceptível, mas tomamos posse: é meu, é minha…

Pessoas não são objetos, tem vontade própria, tem anseios…

Até podemos viver por um tempo sendo de alguém , ou melhor deixando-se ser de alguém, mas num determinado momento porque somos livres o grito da liberdade ecoa e é provável que esse grito não ecoei ao mesmo tempo no ser que nos ama…

Somos seres distintos e nesta hora se não deixamos o ser amado partir livremente o amor adoece…

Quando o ser amado parte sem hora marcada, sem aviso prévio… Abre-se um rombo, parece que perdemos o corpo e somos só alma…

Tudo lembra o ser amado, todo o exterior é ele, mas a grande verdade é que ele mesmo partindo esta vivo dentro do amante e o exterior é apenas um reflexo do interior…

O que fazer então?

Liberte-o!

Lembro-me agora de uma musica que diz assim: “… eu faria tudo para não te perder, assim, mas o dia vem e deixo você ir”…

Não é fácil, mais o amor só é amor quando liberta, quando deixa o ser amado livre para ir e vir… Quando se dá sem esperar nada em troca, quando tem a capacidade de deixar ir mesmo que o apelo da alma pessa que fique!

Mas a medida que liberto o ser amado vou ficando livre também… Livre para amá-lo com verdade, com segurança…

É por isso que muitos preferem apaixonar-se, a paixão não tem centro, não tem compromisso, só busca saciedade, é egocêntrica…

O amor tem a capacidade de nos tornar eterno, porque a medida que o outro vive ainda que morto eu esteja, dentro dele viverei…

O amor é durador, portanto exigente, requer mudanças, amadurecimento e acima de tudo liberdade…

Dedico este artigo a você que já viu seus amores partir de forma trágica pela morte, mas te forma intensa pelos caminhos contrários da vida…

Chegou o dia de deixá-los livres e libertasse também…

Porque ser livre é amar intensamente sem jamais aprisionar… Pessoas não tem raízes foram feitos para entrar e sair de diversos jardins, mas a medida que se dão fazem florescer ou secar o jardim do outro…

Escolha fecundar e honrar a vida do ser amado que partiu, vivendo intensamente…

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Vínculos duradouros de relacionamentos caíram no desuso…

Tudo agora é passageiro…

Namoro é ficar…

Casamento é loteria…

Os amigos ficaram “sem sal”, que tal trocar?

Trocar e trocar…

Uso e desuso…

Assim estamos fazendo com os nossos relacionamentos, trocamos de amigos a cada momento que nos aparece um melhor e mais interessante, nem olhamos para traz, pegamos o que nos pertence e partimos para o mundo…

Criar intimidade caiu no desuso, somos capazes de falar dos outros, mas não somos capazes de falar de nós mesmos, porque não nos conhecemos como somos de fato…

Deixamos que os outros adentrem somente em nossa sala interna de estar, onde tudo esta organizado, quando este alguém se atreve a entrar no interior de nosso quarto, se torna ameaça… O melhor então é mudar…

Usamos e nos deixamos usar, não percebemos que quando descartamos alguém na verdade estamos a descartar nós mesmos, porque este alguém reflete o meu eu como num espelho…

Vale ressaltar que não estamos aqui abrangendo os vários tipos de relacionamentos que muitas vezes são para nós impossíveis e se continuarmos nele seria letal…

Estamos aqui falando de relacionamentos que precisam passar pela arte da fecundação, a arte de desvendar a alma de alguém e isso é tarefa de artesão, é cotidiano, árduo, mas deslumbrante…

É precisa estar ciente que quando chegarmos na matéria intima do produto poderemos afirmar se amamos ou não tal individuo, porque ama quem tem coragem de olhar o todo do outro , não apenas a parte…

maria_madalena_ e_ jesusA parte que lhe é favorável sempre será bela e ficara a mostra na sala de estar, o obscuro que precisa de amor, o amor tem essa capacidade de acender os cômodos da casa interior, mas isso não será feito sozinho, porque a todo homem e a toda mulher foi dado uma companhia, não falo aqui de cônjuges, falo de seres humanos que não foram criados para o isolamento, foram criados para produzir mesmo nunca sendo pai ou mãe, porque produzir nada mais é do que gerar vida na vida de um ser, que ainda não a encontrou e por isso caminha errante… É o amigo que tem essa potencialidade de colocar luz na sala de seu amigo e abrir suas janelas, no ficar não conseguiremos isso, é preciso permanecer, somente o a amor permanece, a paixão é maravilhosa mais é passageira…

Cuidado com amigos que só lhe trazem o calor da paixão e se agarre aos que te fixam os pés no chão mas te fazem tocar o céu …

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A alegria de ser!

Nos pegamos sempre querendo ter, ter alguém, ter algo, o ter nada mais é do que o eu dominador. O resultado do “meu” que nasce em cada ser humano.

As crianças na primeira infância vivem repetindo esta palavrinha:” meu”. Meu brinquedo, minha mãe, meu pai… Ninguém ensina, nascemos prontos para ter…

Mas o ter deveria estar a serviço do ser, ser para alguém, ser para si,ser para humanidade, para meio social que vivemos, para a família, para os amigos, então qual a diferença do ter e do ser?

O ser é eterno, durável, sou no coração de alguém, como por exemplo, sou filho da minha mãe, mesmo que ela morra, como sou mãe de meus filhos ainda que os mesmo morram, eu sou…

Mas como minha mãe não me tem para sempre não terei meus filhos para sempre, ter é momentâneo.

Por isso nos frustramos tanto, porque sempre estamos buscando ter, ter o carro do ano, ter o melhor emprego, ter a melhor graduação, ter um (a) companheiro (a), ter amigos… ter … ter e ter…

Passamos horas trabalhando em projetos, porque adoramos projetar, e isso também nasce conosco, projetamos para ter, e quando alcanço a busca acaba, ficamos eufóricos e depois passa… E ai vem a pergunta: no que vou projetar minhas forças agora?

Claro que a vida é uma eterna conquista, um subir árduo de degraus, mas o nosso coração não pode estar a serviço apenas do ter …

O ter é correria , o ser é calmaria…

O ter é busca, o ser é conquista…

O ter é momento, o ser é eterno…

O ter é fogão a gás industrial, o ser é fogão a lenha…

Ser no coração de alguém é acordar todos os dias e lembrar que não importa se este alguém esta ao seu lado, se partiu temporariamente ou para sempre(morreu), o ser dentro de si não permitira que nada o roube, já o ter, ou melhor tudo o que tenho, é roubável…

Construa o ser nas pessoas que o cercam, seja para alguém durável, não deixe apenas ser levado pela vida em busca do ter, posso muito bem ter filhos e nunca ser nada dentro deles, se sou dentro deles, eles podem ir longe, caminhar por caminhos incertos, mas quando olharem para dentro de si, voltarem para sermos juntos…

O ser liberta, porque sei que sou no coração e ai nada o impedirá de voltar, seja qual distante for sua caminha…

O ser é como uma planta, plantada num terreno nobre, cresce, cria raízes e se fixa…

Essa planta precisa ser regada as vezes com gotas, outras vezes com contra-gotas e outras com mangueiras… O que importa é que sendo alguém dentro de outro alguém você possa perceber que é necessário adubar o terreno, cavar tempo para visitar o jardim, podar alguns galhos secos e adubar… Lembre-se nada de cerca, cerca só serve para ter preso a nós quem deseja criançaspartir, portanto se você tem alguém que deseja partir, deixe que parta se você é dentro desse alguém, fique tranqüilo ele retornará…

Dedico este artigo a todos aqueles que são em mim e que me permitem ser neles!

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